quarta-feira, 21 de abril de 2010

25 de Abril de 1974, o dia libertador

A minha homenagem aos militares do 25 de Abril e a todos os que durante 48 anos não calaram a sua voz, que sofreram a prisão e o degredo, para todos os que lutaram pela democracia e ainda para todos que deram a vida pelos seus ideais e não viveram a aurora do dia libertador.

Foi há 36 anos que o Movimento das Forças Armadas devolveu aos Portugueses a liberdade e a democracia, depois de 48 anos de ditadura fascista de Salazar e Caetano.
(eu sei que a muitos "puritanos" da direita o termo fascista não tem cabimento,mas...recordo-lhes as saudações hitlerianas que os ditos governantes faziam e há ampla documentação fotográfica)


Nas ruas foi sempre visivel a unidade entre os militares e o povo

Os cravos floriram nas espingardas e nos canhões dos blindados.
...E assim a revolução ficou conhecida pela Revolução dos Cravos

A imprensa publicou durante o dia diversas edições dando a conhecer o que se passava

terça-feira, 13 de abril de 2010

Luiz Pacheco...



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escrevi o poema que segue após a morte de Luíz Pacheco.
com ele e o post que faço, pretendo lembrar o homem, o escritor.
(...que, quando quiz, foi...MUITO BOM! )

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dois tempos na (des)monotorização do tempo...
empurra-se o tempo no sufoco...
resiste-se.

este é o tempo na esmola dos anos,
no estrangular da vida,
na constância da hipocrisia.

este é o tempo em que os luíses afrontam
e os pachecos resistem
no conjunto do nome, no todo do apelido.

no tempo ressuscitado,
coma-se a telepatia
de quem pensa e não diz
que o incómodo fornica
a virtude donzela,
os segredos da tia...


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NOTA:

Contrariando a minha frontalidade, peço perdão à memória do visado, mas... para manter os "costumes" linguisticos desta página, substituí no poema as frases "evidentes" por "coma-se" e por "os segredos"...
Uma pena...

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Luiz Pacheco (1925-2008)
Escritor, crítico e editor português (Lisboa, 7.5.1925 - Montijo, 5.1.2008). A sua diversa actividade enreda-se nas atribulações de uma vida marcada pela irregularidade dos amores, pelo escândalo das relações, os processos judiciais, a prisão, os filhos, o álcool, a fome, a doença.

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Algumas obras de LuiZ Pacheco:
Carta-Sincera a José Gomes Ferreira (1958), O Teodolito (1962), Crítica de Circunstância (1966), Textos Locais (1968), Exercícios de Estilo(1971, reed. aumentada, 1998), Pacheco vs. Cesariny (1973), Textos de Circunstância (1977), Textos Malditos (1977), Textos de Guerrilha - I (1979), O Caso das Criancinhas Desaparecidas (1981), Textos de Guerrilha - II (1981), Textos do Barro (1984), Textos Sadinos (1991), O Uivo do Coiote (1992), Memorando, Mirabolando (1995), Cartas na Mesa (1996, apresentação e notas de Serafim Ferreira), Prazo de Validade (1998), Isto de estar vivo (2000), Uma Admirável Droga (2001), Mano Forte (2002), Raio de Luar (2003), Figuras, Figurantes e Figurões (2004), Diário Remendado 1971-1975 (2005), Cartas ao Léu (2005).

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domingo, 4 de abril de 2010

...e a mentira camuflada engole a traição.


…e a mentira camuflada engole a traição
na tristeza muda da verdade…

nas palavras necessárias de quem ilude,
nenhuma mentira é igual
às cinzas da verdade…

nenhum reverso faz o verso
da transparência…

…e assim, a mentira, degola-se na verdade
como arte fantasiada…


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para quem de anil veste a face que tinge a mentira...
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domingo, 21 de março de 2010

primavera...


primavera...

...e o hálito do vento
já não é o que era...

no astro da respiração,
o azul intenso,
o despertar,
a cor do dia imenso...

primavera...

...nos dedos periféricos do futuro,
a flor que há-de ser fruto
e o outono colherá,
rico, sumarento, maduro...


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ao dia mundial da poesia, à primavera que agora rompe as amarras do inverno - eventos da vida que se renovam no amanhã.

para ambos, este poema, um poema que deve ser pensado no seu amplo sentido.

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contra o habitual, uma dedicatória especial às amigas
Licete Sequeira e Glória Reino
por darem voz e apoio aos sentimentos que escrevo

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segunda-feira, 15 de março de 2010

a um palmo de ti...



a um palmo de ti,
nos palmos que meço,
és tudo que peço
em palmos medida…

em palmos medida,
em louco frenesim,
és de mim guarida
a um palmo do fim…

quinta-feira, 11 de março de 2010

Em Carcavelos a favor do Haiti

Desde o passado dia 6 e até ao próximo domingo dia 14 de Março, decorre no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Carcavelos, em Carcavelos, exposição de pintura de 42 artistas plásticos que doaram as suas obras a favor da AMI - Assistência Médica Internacional, pela ajuda que vem prestando no Haiti, país recentemente devastado por terramoto.
A exposição, que tem registado assinalável êxito, tem, igualmente, proporcionado vendas que revertem totalmente a favor daquela ONG portuguesa.


Frente e verso do cartaz da exposição


O Salão Nobre da Junta de Freguesia foi pequeno para tanta gente...


Gente, muita gente, atenta, observadora e compradora dos trabalhos expostos


Este o trabalho que doei e apresentei emoldurado (40 x 50 cm)
Dei-lhe o título de "haiti - da destruição à reconstrução do homem"
Trata-se de um acrilico sobre papel cansom com as medidas de 29 x 39 cm


olhares atentos e curiosos sobre o meu trabalho.....


O Dr.Fernando Nobre, fundador e presidente da AMI junto de mim e do poster com o poema que escrevi sobre o Haiti


Este o poster com o poema que antecedia a exposição e já editado no blog.

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A exposição estará patente ao público até domingo, dia 14 de Março, das 10.30 às 19.30 horas, nos dias úteis e aos fins de semana das 16.00 às 19.30 horas.

PARTICIPE - AJUDE - O HAITI PODIA SER AQUI...

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sexta-feira, 5 de março de 2010

mulher



a propósito do dia internacional da mulher que se celebra a 8 de Março e lembrando Engels quando afirma que... “o homem é o burguês e a mulher o proletário…”, escrevi o poema que segue e foi editado na revista "o escriturário" do Porto, em Março de 1978


mulher de rosto dorido…

tu que és a primeira que se levanta
e a ultima que adormece;

tu que és a bandeira da vontade
e a mágoa que permanece;

tu que és o segredo da semente, fruto, raiz
e da liberdade que se alcança;

perdoa as dores da ingratidão
- de que és vítima –
em cada lugar, mundo, país


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com dedicatória às mulheres da minha familia que lutaram e venceram as contrariedades da vida, a todas aquelas que souberam elevar a voz,
romper conceitos e conquistar a legitimidade dos seus direitos,
da sua liberdade.

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a canção "woman" de John Lennon, que tocou em fundo, aquando da edição deste post, é uma das preferidas de minha Mãe - por isso, com dedicatória, "ilustrou-o" musicalmente.

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o trabalho que encima este post é de minha autoria.
trata-se dum desenho a carvão de 1968 com as dimensões
de 26 x 35 cm

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domingo, 21 de fevereiro de 2010

a curva...



redondo é o desejo
curva a curva...

na curva do olhar,
do olhar que te mede,
medido é o desejo,
a dádiva que te pede...


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imagem da internet

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

na fome...


do pão da fome,
do corpo faminto,
serei quem de mim tome
na fome que por ti sinto…


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imagem da internet

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

rompo os horizontes...


rompo os horizontes no sublime da procura.

na raiva dos gestos congemino o vôo nos caminhos da imaginação.

sei o que sou, o que quero e para onde quero ir.

na ampla visão das minhas conjecturas, procuro com a cor,
a fusão dos tons, o inimaginável do concreto.

na pintura alcanço a liberdade a que me proponho e que sobrevive às agonias da criatividade.

sou no gesto que rompo, no final que alcanço, quem, dando forma à sua arte, procura ir mais além.



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texto que escrevi para Delfina Mendonça
para obra literária editada em Espanha sobre diversos pintores

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a foto deste post refere-se a pintura que me foi
oferecida pela artista.
trata-se de pintura a óleo sobre tela, sem título,
com as dimensões de 55 x 65 cm

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ai por ti (haiti, haiti)


no grito surdo da dor,
lágrimas de sede,
vida de tantas ceifada,
no campo da pobreza…

haiti, haiti,
um pouco de nós,
aos dias da incerteza,
é dizer duma só vez
vocês não estão sós!

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poema que fui solicitado a escrever, cujos direitos cedi,
e que fará parte do mural da fraternidade da Bienal Internacional da Poesia da Biblioteca Nacional de Brasília / Brasil

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imagem de noticiário da TV por mim fotografada e trabalhada.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

ary dos santos, ontem, hoje e sempre!


Completam-se, hoje, vinte e seis anos sobre a morte daquele que quanto a mim foi um dos mais talentosos poetas da sua geração.

Conhecido do grande público como autor de poemas para canções, José Carlos Ary dos Santos contribuíu de forma imperativa para renovação da musica ligeira portuguesa e diria, até, da própria poesia.

Tive o previlégio de o conhecer e algumas vezes convivermos.

Através dele conheci algumas figuras proeminentes da cultura como Fernanda de Castro, Natália Correia e Mário Cesariny de Vasconcelos

Recordo alguns serões “ajantarados” com a sua devota amiga Emilinha e as conversas intermináveis que se alongavam pela madrugada.

Estivemos mais próximos quando residiu na Rua do Alecrim, ali ao Camões, em Lisboa.

Lembro aí os fins de tarde de conversa afiada com gins tónicos de permeio e muito fumo de “português suave”, que originava constantes ralhetes da Dulce, sua empregada.

Dele guardo recordações da sua linguagem irreverente e ágil.

Como curiosidade da sua irreverência linguistica, aqui reproduzo a contracapa da primeira (?) gravação comercial em que recitava poemas e que lhe pedi para autografar para meu irmão Adalberto, à altura cumprindo serviço militar em Timor.


Recordo, ainda as palavras que me dedicou no seu livro “insofrimento in sofrimento” aquando da sua apresentação na Livraria Quadrante, em Lisboa.


Vinte e seis anos após a sua morte, o poeta e o amigo continuam presentes na minha memória.

A sua poesia e as suas canções continuam bem vivas no apreço que lhe dedica o povo-povo da nossa terra.

Quiz o destino que o poeta morresse em dia de grande significado para o operariado português.

Em 18 de Janeiro de 1934, aconteceu na Marinha Grande o levantamento operário que fez tremer Salazar.
Levantamento que as forças militares, a policia e a PIDE
reprimiram pondo fim ao movimento.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010



sei-te nos meses de cada dia.

nos anos que somaste

como penélope dum arlequim,

como musa duma lua,

perfume de jasmim…



sei-te em cada desejo,

em cada sonho liberta,

em mares de tanto ensejo,

em amor por amor desperta…

sábado, 26 de dezembro de 2009

os anos...



os anos vestem-se com adereço dos dias,
dos meses vividos,
as rugas vincam a face,
agruras do sofrimento…

no silêncio poético da vida,
no alcance do futuro,
o tempo divide,
multiplica angustias,
soma receios,
subtrai sonhos…

do rosto que era seu,
da eternidade sonhada,
perde-se o tempo…

sem sol, sem sombra,
é acaso, palidez do nada,
efémero suspiro,
delírio, êxtase, canto do fim…

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imagem da internet

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

natal ...



natal...

esbarro na parede,
na indiferença,
no neon colorido,
ensalivo o pensamento,
medito...

das raivas contidas,
da liberdade da palavra,
das mãos desertas,
que natal sem pão,
sem paz,
fraternidade,
neste mundo que agonia
e vomita hipocrisia ?

natal...

o fim que já não é
de quem advoga começo!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

expondo em mais uma colectiva de pintura...

Na galeria DOMINIO PUBLICO, até dia 5 de Janeiro, podem ser vistas e adquiridas obras de Ana Segall, Belé, Branca Rodrigues, Giselle Dumont, Luis Nogueira e Pedro Charters d'Azevedo. Observando os dois trabalhos que apresento nesta colectiva de pintura Como sempre, este tipo de exposições proporciona animado convivio entre os presentes. Ideias, criticas e discussão tornam vivo e sempre animado o encontro entre artistas, publico e galeristas. Surpresa agradável foi a presença de JULIA CHAVES, uma "velha" amiga para quem em tempos escrevi o poema "maria do meu mundo". Este poema viria a ser musicado por Leonel Medina e por ela gravado em disco. Retirada dos palcos, JULIA CHAVES fez o seu percurso artistico na canção e no teatro. A foto acima refere-se à capa do disco em que JULIA CHAVES gravou a canção de que sou co-autor.

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Uma palavra de agradecimento a MARTINHO DA SILVA, leitor deste blog, que sobre mim e para esta exposição escreveu:
"Da palavra à pintura, da pintura à musica, estamos perante um artista multifacetado
que se desmultiplica nos caminhos da arte.
A poesia, a pintura e a musica têm sido trajectos de quem desde muito cedo viu os seus trabalhos submetidos à apreciação do público.
Os temas da sua pintura, apresentados por “séries”, são caracterizados por cores fortes.
Cores que revelam firmeza e a personalidade do artista neste domínio da arte."

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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

que pena...



que pena a lamina da descrença não matar dum só golpe a prece batida pelo vento infrene da inveja...

que pena...

decerto não seríamos submissos ao sonho que amplia a duvida...

decerto faríamos da vontade o vulcão da nossa força...

decerto calaríamos o estribilho cobarde que algema a ideia...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

um calhau rolado...


um calhau...

…polido pelo mar,
jaz e rola
até desgastar…


um calhau,…

…uma simples pedra,
moldada por marés,
cansada e rolada
por tanto revés…



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A propósito deste poema, uma curiosidade...

Em fins de 1966 (há quanto tempo...) um amigo pediu se não me importava de ajudar um jovem Madeirense que, para além de ser funcionário público, em Lisboa, cantava nas horas vagas, tendo já algumas actuações públicas na Madeira e nos Açores. Dias depois conheci esse jovem e prontifiquei-me a ajudá-lo através de conhecimentos que tinha na editora Alvorada. Falei então com o responsável da editora o qual depois de ouvir o dito jovem acordou a gravação comercial com ele. Na fase de escolha do reportório, acordou-se que teríamos de arranjar uma composição que captasse as atenções, não só no título como, também, na letra e melodia.
Alguns dias depois, como ninguém tivesse encontrado inspiração para tal, surgiu-me uma ideia que de pronto apresentei à editora a qual a acolheu de braços abertos, concretizando assim, com essa e outras composições, a gravação do disco.
A canção foi um êxito, o disco vendeu algumas edições e o interprete viria a ter o
seu lugar no panorama da musica ligeira portuguesa.
A canção, com letra e musica de minha autoria, tinha por título "COMO UM CALHAU ROLADO". Dei-lhe este título devido ao facto de gostar, particularmente, da composição de Bob Dylan, "Like a rolling stone".
O interprete chamava-se GABRIEL CARDOSO, para desgosto das suas inumeras fans faleceu em 8 de Fevereiro de 2000 e "Como um calhau Rolado", para além da amizade que entre nós perdurou, foi a única composição que escrevi para si.


Eu e Gabriel Cardoso autografando calhaus
-Recorte da revista "Estudio"-


Almoço com Gabriel Cardoso em Papagovas (Lourinhã), a última vez que estivemos juntos e falámos sobre projectos futuros.

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domingo, 1 de novembro de 2009

No Auto-Club Médico Português, nova exposição de "Monstr'inhos". Inéditos de 2005-2009


Exposição individual de pintura do tema no AUTO-CLUB MÉDICO PORTUGUÊS - Av.Elias Garcia,123-1º-Esqº - LISBOA. De 28 de Outubro a 13 de Novembro de 2009. Exposição patente ao público de 2ª a 6ª feira, das 10.00 às 13.00 e das 14.00 às 18.00 horas

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Quatro dos vinte e cinco trabalhos expostos


"Entre Cortinas" - 2009


"O equilibrista" - 2009


"De costas voltadas" - 2005


"Finalmente sós" - 2009


Observando cada detalhe...


Um aspecto dos visitantes no dia da inauguração


A familia sempre presente...Da esquerda para a direita, o primo António Luís, a sobrinha Ana Maria, eu e a prima Lina Luís.


Uma surpresa agradabilissima, a presença de Natividade Lavos e de Carlos,seu marido.
A Natividade, hoje distinta causidica, foi minha colega na direcção do então Sindicato dos Trabalhadores de Escritório do Distrito de Lisboa no biénio de 1976/1978, revelando-se, então, uma excelente sindicalista.


Com António Marques Tavares, outra visita surpresa dum "velho" amigo companheiro das lides autárquicas



Há sempre quem queira comentar o que viu, assinalando a sua presença no livro das visitas

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Mais em...

http://www.acmp.pt/index.php?id=163&myDummy=38&btn=3

http://www.acmp.pt/index.php?id=66&myDummy=470&btn=3

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