domingo, 17 de agosto de 2008

sou a tua marca...


sou a tua marca,
a cidade imóvel
que teu corpo desperta.

sou o corpo amado,
o desejo liberto,
a rua do caos,
teu seio desperto…

sou o fogo das marcas,
teu corpo explorado,
a marca do tempo
o nome tatuado.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

pulguinha...



uma pulga

- invertida -

menina que eu não acho,

me deixa na confusão

de ser

fêmea ou macho...


...mas morde!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

paredes (graffitis)


paredes…

altares de gritos,
desordenados graffitis
de caracteres e letras...

memórias cravadas,
raivas pintadas,
cores dispersas,
diversas,
repúdios, apelos,
murmúrios…

paredes…

cansadas, magoadas,
com riscos, com traços,
grafias,
com imagens, fantasias…

paredes...

rostos urbanos,
danos,
onde o aviso é mensagem
e a arte tem cor
no canto da vida…

segunda-feira, 28 de julho de 2008

vens olhar-me nas palavras...


vens olhar-me nas palavras que deixo reclinando perguntas nas reticências que lês.

calças os sentidos nas emoções descalçando dúvidas nas certezas que imaginas.

na ilusão que remedeias, há começos que bordas na angustia do despertar fazendo deles procuras no ajuste do que teces.

sei dos dias mínguos em que esfarrapas procuras nos anseios que o corpo turbulenta.

sei de tudo.

dos inventos perspicazes, das lonjuras que mendigas nos àquens desejados;

dos cristais que flutuam no choro de tantos pensamentos...

vens olhar-me nas palavras que deixo...

...porque sou a história, o morto - vivo, a causa presente, a tua memória!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

meu mal me quer


meu bem, meu mal
meu mal me quer
de bem querer...

mal me quer,
bem me quer,
muito,
pouco,
nada...

muito quero,
pouco tenho
por bem querer
e mal haver...

mal me quer,
bem me quer,
muito,
pouco,
nada...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

mais um azul na lembrança... (sou louco...)


Em vésperas dos meus céus completarem mais um azul, quero parar no tempo, olhar para trás e lembrar...

Lembrar que há muitos anos atrás, menino atrevido e extremamente meditativo, escrevi um poema que tem marcado a minha vida.

Um poema que "digerido" no seu contexto todos diziam ser impossivel para um menino tão...menino.

Um poema que tantos anos volvidos continuo a ler com espanto na constante pergunta de como foi possivel ter escrito com "sentimento adulto".

Esse poema que, a seguir transcrevo, nunca foi editado em livro, embora tenha tido "mil e uma" leituras na rádio, em espectáculos e em tertúlias literárias.

Desde há anos que, numa enorme moldura, está perpetuado em casa de minha Mãe.

Os anos passam, mas sempre que a visito e olho para ele, interrogo-me, salivo a saudade e engulo em seco.

Este é o meu poema! Aquele, o tal!


............


sou louco...



sou louco.
dizem para aí.

eu sei.

não corro,
não fujo,
não procuro socorro.

sou louco.
dizem.

chicoteiam as faces da alma
vazia de penumbra.

sou louco.
dizem.

não emendo
na procura duma consolação,
não vivo
procurando a evasão
de esquecer
o que dizem.

sou louco.
dizem.

...porque quero ter sombras na parede.

sou tudo.
uma besta - tudo neles,
que passam, riem, comentam e dizem:
é louco!

caminho mais só, sem dó deles.

...mas louco sem loucura não é louco.

...e sinto desejo profundo, digo mesmo:
louco é o mundo que caminha a esmo!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

"Diversidades III" - Exposição Colectiva de Pintura na...


Doze artistas plásticos, doze sensibilidades, expõem vinte e quatro trabalhos de 5 a 30 de Julho na Galeria Municipal do Fitares Shopping, na Rinchoa (Sintra).
Doze artistas desenhando o seu caminho pessoal e único em busca da libertação e do prazer estético



As telas que exibo...


"Solitaire" - Acrilico sobre tela 50 x 60


"Solitaire I" - Acrilico sobre tela - 50 x 60

terça-feira, 1 de julho de 2008

na asa do gavião



na asa do gavião

uma pétala de susto

amedronta a palavra...


...e eu,

qual mortal,

sopro no suspiro

que suspirou meu coração.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

palavras, pensamentos...



palavras inteiras,
fragmentos do desejo...


pensamentos copulados
no espaço dum beijo...


nós, enfim!


libertos, acontecidos!


de amor feitos,
de amor feridos
em prosas do fim...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

(trans) lucido



recorto a ideia na pétala do olhar,
conto as horas no pregão surdo da revolta...

lá longe, onde o aroma incendeia o olfacto
os perfumes são o odor do corpo,
o sal da mágoa que respiro...

não sei que fronteiras limitam o sorriso,
nem que abismos calam a voz da ausência...

sei que na grade da tua janela
há olhos pendurados,
uma espera molhada,
dias por uma noite ansiada.

(dobrando a raiva) sou...



dobro a raiva na curva do olhar,
fermento o silêncio, os vícios,
as virtudes famintas...

desenho caricias, beijos solúveis,
verdades esquecidas, fomes saciadas...

sou o incêndio da lembrança, o ressuscitar comedido,
a mão guerreira, o berro igualitário...

sou breve, inútil, compacto,
clamor do desespero moribundo,
actor de um só acto,
poema que em ti inundo...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

numa lágrima de sangue...



numa lágrima de sangue

destilei a dor,

a mágoa e o sofrimento,

a palavra...amor!

domingo, 15 de junho de 2008

vocês são ADMIRÁVEIS!


Quem lembrou a minha ausência...

Alice,
Ana Maria Costa,
Anália,
Aureola Branca
Clarissa Barth,
Cris de Lima,
Carla Mar,
Graça Pires,
Gretty,
Impulsos,
Jacinta Correia,
Juani Lopes,
Leticia Gobian,
Lola Bertrand,
Margarida,
Maria P.,
Mariam,
Menina do Rio,
Olá!,
Olhos de Mel,
Osvaldo,
Regina Coeli,
Renata Maria Pereira Cordeiro,
Rosa dos Ventos,
Rosi Gouvea,
São,
Xistosa,

A vocês, o meu OBRIGADO!

Pela simpatia, pela amizade, pelo carinho,
pelas mensagens deixadas
pelos mails enviados.

Vocês são admiráveis!

Muito obrigado!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

até breve...




pausa...

para pensar e criar.

volto em breve!

volte, também!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

camara municipal da moita - expo colectiva de pintura



seis artistas plásticos, nos quais me incluo, com currículo e participação em diversas exposições individuais e colectivas, exibem os seus trabalhos no Posto de Turismo da Camara Municipal da Moita de 7 a 21 de Junho.

terça-feira, 3 de junho de 2008

corpo pianoforte




Il tuo corpo è
un pianoforte
su cui compongo e suono
melodie che custodisco in te;

una sinfonia in cui Beethoven rivive
la nona che c’è in me.

Il tuo corpo,
il mio pianoforte,
attraverso sospiri stonati,
acquista il suono nella magia
suonato dalle mie mani.

Il tuo corpo è
un pianoforte,
mia percussione,
tocco leggero
in cui noi suoniamo
AR-MO-NIO-SA-MEN-TE!

************

Versão italiana de V. D'Orazio / Roma

para o meu poema "Corpo piano"

da exposição fotográfica de R.Biglia

"o nú das palavras"

domingo, 1 de junho de 2008

expo do estoril, as imagens "falam" por si...




convidados e publico, muitos! amigos...inúmeros!


gente interessada e atenta convivendo com criticos e intelectuais.


discutindo e "decifrando" técnicas...


amigos...estes são alguns dos que vieram de longe, atravessaram o Atlântico e juntaram-se aos que estão perto!
(Viva! José Luís! Olá! Paulina! Obrigado pela presença, pela amizade, pelas lembranças!)


sempre criticos e exigentes...os familiares!
(Adalberto,Mimi,Cristina e Teresa)


Luis Fontan, sempre presente! Um amigo com quem partilho diversos horizontes no dominio da cultura e da...politica!

terça-feira, 27 de maio de 2008

no estoril a partir de 31 de maio, mais uma expo colectiva de pintura...

...do sentir ao sentido.



Mais uma exposição em que participo.

Desta vez na Galeria de Arte da Junta de Freguesia do Estoril.



Estarei integrado num excelente grupo de artistas os quais, pelo seu talento e arte, garantem o êxito de sempre.

Estão convidados todos os que apreciam pintura e o traço da cor.

Apareçam!

Estas são as telas que vou expôr...


"Decapagem I"
Técnica mista sobre tela 60 x 50 cm


"Decapagem II"
Técnica mista sobre tela 60 x 50 cm


"Decapagem IV"
Acrilico sobre tela 60 x 50 sm

sexta-feira, 23 de maio de 2008

na cama de mim...



na cama de mim
enfeitam-se sonhos,
melancolias,
tristezas e fins...

enfeitam-se mãos deslaçadas,
paixões ateadas,
vidas destruídas,
palavras semeadas...

na cama de mim
sou mar, um imenso,
cicatriz duma pátria,
rumo sem fim...



*foto de autor desconhecido retirada da net

segunda-feira, 19 de maio de 2008

mona kilumba

Capa da edição



Eu sei que pode parecer vaidade, mas...(há sempre um "mas" na minha vida...) não resisto a escrever e editar algo que me dá muita satisfação.

Vou "falar" sobre uma canção que compus há anos atrás. A sua história é esta...

Convivia eu com os meus amigos angolanos Henrique Rosa Lopes e Rui Legot, elementos do Duo N'gola quando me predispus a criar algo que pudesse ser interpretado por eles.

Habituado desde muito jovem a conviver com naturais das ex-colónias, com eles conheci alguns dos ritmos nativos de África. Um dia, inesperadamente surgiu na minha mente um ritmo bem sincopado e que tudo tinha a ver com o balanço da musica africana.

Para ele escrevi uma letra extremamente simples, salpicada com algumas palavras do dialecto quimbundo. "Alinhavada" a composição, baptizei-a de Mona Kilumba (menina,menina) e corri ao encontro dos meus amigos do Duo N'gola que fazim "poiso" na Pastelaria Tarantela, na Estefânia, em Lisboa.

Aí, à mesa da pastelaria, trauteei a canção, sendo enorme a surpresa dos meus amigos, dizendo tratar-se duma genuína melodia africana.

Dias decorridos, depois de alguns ensaios a canção era gravada em disco e apresentada na TV.

O agrado foi geral e o disco esteve largas semanas na parada de vendas em Angola. Fez o seu caminho e tempos depois voltaria a ser gravada por Aurélio Perry, à altura, famoso interprete do Porto.

Decorridos tantos anos, sou, agora, agradávelmente surpreendido por Mona Kilumba ser reeditada, fazendo parte duma bem apresentada colectanea, em livro, como “As 100 grandes musicas dos anos 60 e 70” de Angola.

A esta distinção acresce a particularidade de ser o único autor incluído nessa colectanea que não nasceu, nem nunca esteve naquele país.



Anos volvidos e depois duma carreira triunfante, o Duo N'gola terminou a sua actividade artistica, não sem que antes voltasse a gravar um poema de minha autoria (Euridice) com musica de Henrique Rosa Lopes.

Henrique Rosa Lopes, inpirado autor-compositor de temas como "Angola" e "Angolê, Angolá", retirou-se da vida artistica, vivendo, hoje a tranquilidade duma vida agitada, Ruy Legot, prossegue a sua carreira como musico, agora, em Paris.

...E fica contada a história de Mona Kilumba, uma composição negra escrita por um Lisboeta.


Entretanto, no merengue da palavra, duas opiniões sobre AS 100 GRANDES MÚSICAS DOS ANOS 60 E 70 de Angola...

"Este é um tesouro sonoro que, felizmente, foi salvo do esquecimento. Um património angolano que solidifica o passado conjunto de dois países. Imperdível para qualquer nascido / criado naquelas terras. Obrigatório para quem pretende conhecer a música de um país que continua a marcar o ritmo dos nossos corações."
- Paulo Salvador

"Esta é a banda sonora dos últimos anos da época colonial em Angola. Brilhante anúncio de um futuro musical que ainda não chegou - mas está próximo. Angola vai ser, muito em breve, uma das grandes potências musicais do continente africano. Não será possível compreender esse futuro sem conhecer este passado. Não há dúvida alguma, olhando para trás, que o melhor daqueles anos foi a música."
- José Eduardo Agualusa

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Transcrição de excerto da muita informação que "circula" na internet sobre esta edição:

"Este é um tesouro sonoro que, felizmente, foi salvo do esquecimento.
Um património angolano que solidifica o passado conjunto de dois países.
Imperdível para qualquer nascido/criado naquelas terras.
Esta é a banda sonora dos últimos anos da época colonial em Angola.

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Lembrança...
Ao recordar "Mona Kilumba" quero deixar uma palavra publica de saudade ao Tony Tavares, meu amigo-irmão, negro de Angola, companheiro de tantas farras que me acompanhou desde os dez anos de idade até ao final da sua vida.
Hoje e sempre, os amigos não o esquecerão!

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Aqui pode ouvir o Duo N'gola em Mona Kilumba...








Contra capa.



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Elementos anexos à edição internacional

VARIOUS
ANGOLA (4CD BOOK)
cat. N° SL956-2
5604931095620


With 4 CDs and a 40 page booklet (in Portugese only) and filled with photos of the time, "Angola - As 100 grandes músicas dos anos 60 e 70” (Angola – the greatest 100 songs of the 60’s and 70’s) is a journey through the most creative years of Angola.

All these recordings were made at Valentim de Carvalho Studios in Luanda, from 1968 up until 1975 (the year of Independence, when all the tapes were taken to Lisbon and kept in a warehouse until now). Except for 8 tracks released in the Africa Crioula compilation, all of the 100 tracks are being released in CD for the first time. These are original recordings, previously unreleased in CD and available for the first time now in this digitally mastered collection.

This music was something unique for it's time, and later it was spread throughout the world and gave form to many other genres. All of these artists were originally from Angola, and due to the difficult period of the independency war in the country at the time, some of them emigrated throughout the five continents, taking their own culture and music in the luggage, others (such as Sofia Rosa) were killed later for political reasons during the civil war, and some others became major local artists as Elias diá Kimuezo, today after a 55 year-long career. Artists such as Carlos Lamartine, Africa Show, Teta Lando, Chico Montenegro, Mário Silva, Santocas, Santos Júnior, Águias Reais, Quim dos Santos, Artur Adriano, N'Goma Jazz, among others, see their recordings for the first time in CD.

Semba is the king of the popular music of Angola of this time, but you can also find Kazukuta, Kilapanga, Rebita, Dikanza and Merengue among these 100 songs. CD #4 is mainly ballads. Apart from some songs sung in Portuguese and Umbundo, most of them are sung in Kimbundo (the Luanda and north of Angola language). Angola – As 100 grandes músicas dos anos 60 e 70” is a multilingual musical expression of Angola. Today, the locals still speak more than 20 different dialects, although Portuguese is the official language.

Angola – as 100 grandes músicas dos anos 60 e 70 discovers some of the hidden treasures of Angola from one of the finest creative periods of the country.

”The airy fretwork and reggae-styled basslines by Sofia Rosa (...) are tied to each other by the same longing themes of freedom and hope. Fans of Johnny Clegg and the non-Ladysmith Black Mambazo tracks on Paul Simon's Graceland will be fascinated to hear the roots of those sounds which sound very much alive decades later.”
By Zac Johnson, All Music Guide

Tracklisting:

CD 1

01. Elias diá Kimuezo - Zé Salambinga
02. Chico Montenegro - N'golo Banza
03. Mário Silva - Bossa do violão
04. Santocas - Minha Sobrinha
05. Artur Adriano - Kalunga
06. Chico Joaquim - N'Gola Yétu
07. Sofia Rosa - N'Gue Xile Mutunda
08. Lancerdo - Esperança
09. Barros de Landana - Tambi Rosa
10. Santos Júnior - Mukulo
11. N'Goma Jazz - Belita-Kiri-kiri
12. Cabinda Ritmos - Chika
13. Duo N'Gola - Mariana
14. Quim dos santos - Kissuela Kia Diala
15. Paulo Neto - Tua Ndaleto Kutu Tumina
16. João Pequeno - Muloji
17. Alliace Makiadi - Ester Madona
18. Manuel Faria - N'Golo Banza Mamã
19. Cisco - N'gongo - Semba
20. Kibonga dos Santos - Encontro com Muloji
21. Os Korimbas - Jessa
22. António dos Santos - Quando Eu Morrer
23. Zé do Pau - Caminhos da Liberdade
24. Africa Show - Okuniuissa Olongenbia
25. Elias diá Kimuezo - Samba

CD 2

01. Águias Reais - Bazooka
02. Duo N'Gola - Mona Kilumba
03. Elias diá Kimuezo - Zum Zum
04. Quim dos santos - N'Genji
05. Ases Do Prenda - Merengue Bombeiro
06. Africa Show - Ritmo da Ilha
07. Brás Firmino - Onguevaia
08. Mamukueno - Rei do Palhetinho
09. Chico Montenegro - N'gana Maria
10. Super Coba - Kossa-Kossa
11. Ana N´Gola - Kidingo
12. Artur Adriano - Carnaval
13. Dimba D' Angola - Merengue Titia
14. Santos Júnior - Comboio Apitou
15. Os Giendas - Merengue
16. Fé-Fé - Chico - Semba
17. Kissas - Zé João
18. Luís Maria - Merengue Banga Sumo
19. Muhona - N'ga Kolu M'butu
20. José Massano Júnior - Kitmo S. Salvador
21. Cabinda Ritmos - Rosa
22. Nito Nunes - O Relógio Marca a Hora
23. Santocas - Bento
24. Sofia Rosa - N'gala ni kilofo Muxima
25. Marimbeiros De Duque de Bragança - Caiuana

CD 3

01. Mário Rui Silva e Ana Paula - Picada do velho
02. Duo N'Gola - Mulher de Homem
03. Muhona - Falsos Amigos
04. N'Goma Jazz - M'Bamda Yumbana
05. José António Cândido - Kia Banga Rosa
06. Brás Firmino - Unita
07. António dos Santos - Tata Uá N'gi Lengue
08. Santos Júnior - Madalena
09. Luanda Show - Paxi kua N'gola
10. Super Coba - Txi Mbele-Mbele
11. Elias diá Kimuezo - Combóio
12. Africa Show - La Minuta
13. Chico Joaquim - Luzia
14. Augusto Adriano - Mu Iobe
15. Zé Viola - Chita Iá Puiti Puiti
16. Artur Adriano - Mãe Uebi
17. Kito - Bongololo
18. Quibanzas - cada Ngueté Vida Dé
19. António Sobrinho - A N'gi Zula
20. Cisco - Divua Diami
21. Dimba de Angola - Titina
22. Sofia Rosa - Kumulundu
23. Campos Neto - Diá Benga
24. Estrela dos Dembos - Martita
25. Gr. K. Sto. António - Zaire Zabula

CD 4 - Baladas

01. Elias diá Kimuezo - Ressureição
02. Chico Montenegro - Ji Henda ia Luanda
03. Sofia Rosa - Kalumba
04. Santos Júnior - Maria Rita
05. Cisco - Totonha
06. Elias diá Kimuezo - Mualunga
07. Musangola - Laurento
08. Artur Adriano - Belita
09. Quim dos Santos - O Povo é que Sofre
10. Manuel L. Cardoso - São Lágrimas
11. Chico Montenegro - Monami
12. Augusto Dikongo - Encontro com Mana Fatita
13. Lancerdo - Kan'gato ka Dilaji
14. Mário Silva - Maza
15. Águias Reais - Jesus Diala Ua Kidi
16. Carlos Lamartine - N'Gana (Rosa José)
17. Zitocas - Angélica
18. Campos Neto - Diembe
19. Os Giendas - Penso em você mamã
20. Veríssimo Da Costa - N'Gongo iá Diala
21. Ilda Rosa - Makixe
22. Zé Viola - Ambuale
23. Africa Show - Noite de harmonia
24. Teta Lando - Muato Wa N'Ginjila
25. Mário Rui Silva e Ana Paula - Zeca Camarão

quarta-feira, 14 de maio de 2008

foi há quarenta anos, não esqueço!


Foi há quarenta anos…

Aquele Maio tão rubro e tão protestante que assolou a quietude de alguns, florescendo na revolta de outros…

Lembro bem o quanto devorava as noticias que chegavam de Paris…

Lembro os abutres pidescos que pairavam pela Brasileira do Chiado na escuta permanente do que se dizía sobre as noticias que partilhávamos escutando a BBC…

Aquele Maio, foi Maio como nenhum outro.

Trepidante, galvanizador…


Como bebíamos os “atrevimentos” do vermelho Cohn-Bendit, como a sua voz “megafonizada” ecoava no íntimo da malta nova…

Paris sofreu um tremendo tremor de terra e as ondas de choque chegaram a todo o mundo…

Aquele 7 de Maio de luta brava no Quartier Latin ficará para sempre na memória de quem a viveu e, distante, leu o seu relato…

Aqui, longe de tudo, sem autorização de obter passaporte, viajar para fóra de portas, como eu vibrava… como vibravam os intelectuais do Chiado, a malta de Belas Artes, do Conservatório, os mais velhos do Passos Manuel…

Foi o máximo!


A “rapaziada” da António Maria Cardoso sempre atenta e vigilante andava numa “fona” procurando a quem podia lançar a “luva”…

Entrava na Sá da Costa na mira de encontrar algo que pudesse “abarbatar” ou mesmo fingindo interessar-se por qualquer novidade literária, quando na verdade, de ouvido alerta, apenas queriam ouvir o que se dizia e quem dizia, na ânsia de apresentar serviço e “engavetar” uns quantos mais…

Maio de 68..

Esfomeado por lutas e por uns quantos gritos de liberdade, eu "estava" lá estando aqui!

Foi há quarenta anos,não esqueço!

Lembro, hoje, de memória viva, com o sentimento de sempre!



*fotos de autor desconhecido retiradas do YouTube

quinta-feira, 8 de maio de 2008

abismos da noite



sobre o abismo da noite, onde o pleno esvazia a míngua, meu universo vacila, entre a fantasia dos relâmpagos alvorados e a adoração das trevas...

se o dia acordar e o meu olhar cavalgar na fúria do galope, é quase certo que preferiria que os monstros escuros continuassem a ser habitantes do universo em que a fantasia não vacila ante o temor do fantasma da noite.

se assim não for, continuarei na procura dos tesouros marinhos, onde o sono se fantasia e os olhos a pleno, são engolidos por pássaros carcomidos que, mergulhando nos meus mares, derrotam a aventura sem receios.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

mamie - para si



Não sei se existem filhos perfeitos.



Sei que não fui, sei que não sou.



Sei que do vinagre minha mãe fez néctares,

que das insónias fez sonhos,

que dos infortúnios fez venturas,

que das lágrimas fez esperanças.



Sei isso e muito mais.



Sei que se sofrer a sua perda,

quero morrer

e em sonhos sonhados

em si renascer.

terça-feira, 29 de abril de 2008



De poema a canção...

Em 1973, eram muitos os problemas e conflitos laborais.

Em função do que vivi e "crepitava" à minha volta, em vésperas do 1º de Maio escrevi o poema "Vai Maio - em mim".

Escrevi e como outros...guardei na gaveta.

Em fins desse ano, mostrei o poema ao Maestro Artur Rebocho.

Ele leu-o junto do piano do seu estudio musical e, para meu espanto, logo ali o musicou.

A minha admiração foi redobrada, já que Ary me havia dito que a poesia era "atravessada".

Em 1974, "Vai Maio - em mim" foi gravado em disco por Corina.

Corina, a viver, hoje, em terras do Tio Sam, era interprete de temas de cariz popular.

Com esta e outras composições de minha autoria, acabaria por interpretar canções fóra do estilo a que habituara o seu publico.

Hoje e aqui, edito o poema que foi e é canção como homenagem ao 1º de Maio, a todos quantos lutam por uma sociedade mais justa e mais fraterna e, em particular, à memória do Maestro Artur Rebocho, autor da melodia.

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vai Maio - em mim


vai Maio - em mim
florido e perfumado
despindo donzelas
de vestes de invernia...

vai Maio - em mim
vestido de vermelho,
natural ou tingido
pelos factos sindicais...

vai Maio - em mim
de verde trigo
e vermelhas papoilas
mostrando que o outono
é farto de pão...

vai Maio - em mim
sem preces e orações
mostrando que o futuro
é verde esperança
que se colhe
de mão em mão
na força e no querer
de cada homem

domingo, 27 de abril de 2008

un poco más allá...



un poco más allá...

hasta el puerto de tus besos
bebiendo tus palabras,
salando mis lagrimas,
navegando en tus brazos...

un poco más allá...
hasta las rutas que tienes por navegar...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

viva o 25 de Abril!



Uma vez mais...25 de Abril!

A emoção que sinto neste dia e as lembranças que me assaltam são indiscritiveis.

Lembro meus avós, meu tio-avô, a deportação da familia.

Tenho orgulho imenso nas minhas raízes, nas lutas politicas em a familia se envolveu e nas instituições de solidariedade social que ajudou a fundar ou fez desenvolver.

O avô paterno na implantação da republica e o avô materno na luta pela democracia contra a ditadura de Salazar / Caetano, foram e são estandartes que respeito.

Por essas "leviandades" estiveram na clandestinidade, sofreram a prisão, a deportação, o degredo, a "instalação" no Tarrafal.

As privações que minha mãe e tios sofreram, quando crianças, deviam ser exemplo para quem não tem o menor respeito pelos valores da vida e vive no completo alheamento por todos aqueles que lutaram e sofreram pela conquista da liberdade, da democracia, da justiça social.

25 de Abril, outra vez.

Um dia diferente que lembro e a plenos pulmões grito:

VIVA A LIBERDADE!

VIVA A DEMOCRACIA!

VIVA O 25 de ABRIL!

se as flores por mim chorarem...




Tudo na vida tem a sua história e esta canção tem a sua.

Nunca a contei. Conto hoje.

Ela foi "sonhada num repente" há muitos anos atrás.

Precisamente numa madrugada no Vitória Clube de Lisboa, na Picheleira e na preparação de mais um sarau cultural, organizado por um grupo de jovens aí residentes e denominado Grupo 8.

A "responsável" por essa inspiração foi a Lily, na altura uma mocinha bonita, extremamente simpática e que hoje, senhora, continua a sê-lo.

Inicialmente baptizada por "caminho no mundo", viria a mudar de nome para "se as flores por mim chorarem".

Pouco tempo depois, conheceu gravação comercial em Portugal e no Brasil.

Naturalmente, "transbordei" de alegria.

Como autor da musica e do poema, sou suspeitissimo, mas...gosto imenso da canção.

Compus outras,mas esta...esta é a "tal", a que nos toca, a que nos faz vibrar os sentidos.

Um dia, tive o previlégio de a ouvir tocada em cravo no Palácio de Queluz.

Que som...

Nem quiz acreditar que aquela musica era minha...

A emoção foi tanta que não contive as lágrimas.

A minha musica tocada ali, na sonoridade desse instrumento fabuloso dos séculos XVI / XVIII...foi o máximo!

Há poucos meses reencontrei a Lily e contei-lhe a história de "se as flores por mim chorarem...".

Ficou surpresa. Nada sabia. Quer ouvir a canção.

Ainda não lhe fiz chegar o CD. Um dia destes...será!

Até lá os meus amigos do Grupo 8, com quem ainda hoje convivo, amigos de infância da Lily, vão continuar a ser maliciosos e a inventar histórias sobre "aquela" inspiração...

Entretanto, a Clara, minha neta, esperta, como é, realizou e ofereceu-me o clip da canção.

(um beijão Clara!)

Para terminar esta história e porque a gratidão é coisa bonita, quero deixar aqui o meu reconhecimento à Corina e ao Dario de Barros que gravaram a composição, bem como homenagear o Maestro Rocha Oliveira (infelizmente,já falecido) que soube "entender" a minha inspiração e, de forma magnifica, orquestrou "se as flores por mim chorarem"

quarta-feira, 23 de abril de 2008

deusa e deus



rasgarás o ciúme na pálpebra do olhar amassando a raiva na desconfiança;


comerás os fígados do fel e no desespero do azedume gritarás pelos luares extáticos;


serás deusa dos sombrios e nos medos serás estátua na luz movediça...



eu, qual solarengo deus, serei a trégua,

o recuo da guerra,

o amedrontado lacaio,

o assírio da regra,

a errância da semente,

o vento despedaçado na trégua...

domingo, 20 de abril de 2008

existo!



no cansaço das mãos...desenho-me!

dou traço ao espirito,
desenho a revolta.

na fadiga da ideia,
ensaio o grito
e berro...

existo!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

na memória...



na memória ( da manhã )

há segredos ( do dia ),

um silêncio ( que acorrentas )

no tempo que de mim resta...

terça-feira, 15 de abril de 2008

abismos da noite



sobre o abismo da noite, onde o pleno esvazia a míngua, meu universo vacila, entre a fantasia dos relâmpagos alvorados e a adoração das trevas...

se o dia acordar e o meu olhar cavalgar na fúria do galope, é quase certo que preferiria que os monstros escuros continuassem a ser habitantes do universo em que a fantasia não vacila ante o temor do fantasma da noite.

se assim não for, continuarei na procura dos tesouros marinhos, onde o sono se fantasia e os olhos a pleno, são engolidos por pássaros carcomidos que, mergulhando nos meus mares, derrotam a aventura sem receios.