terça-feira, 10 de agosto de 2010

ser VIDEIRA com raízes na Bendada (Sabugal)

videira
cepa torta nascida
de néctares aromáticos
graduados no sol...

videira fruto - tempera,
gente dum só escol.

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poemeto que dedico à familia do meu apelido

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estes são uma pequena parte dos descendentes dos Videira que no passado fim de semana se reuniram na Bendada (Sabugal), aldeia onde têm origem as suas raízes.

Somos fruto da mesma àrvore ainda que de ramos diferentes.

Somos descendentes dos que se dedicaram à pastoricia, ao trabalho no campo e que vincaram na face a rudeza da vida.

Dois deles, já falecidos, como meu avô José Maria Videira e meu tio-avô Joaquim Videira, republicanos convictos que lutaram pela democracia contra a ditadura Salazarista, sofrendo, por isso, a prisão, a tortura e a deportação.

Brevemente por aprovação da Assembleia Municipal do Sabugal e da Assembleia de Freguesia da Bendada eles terão os seus nomes consagrados na toponimia local.

Somos Videira.

Do campo à faculdade, temos orgulho no passado, vencemos o futuro.

Somos gente de trabalho, de convicções, de tempera rija.

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Quero aqui fazer referência e registar o meu agradecimento aos deputados da Assembleia Municipal do Sabugal, João Manuel Aristides Duarte e João Carlos Taborda Manata, pelo voto de louvor a meu avô que aí apresentaram, bem como à Assembleia de Freguesia da Bendada, pela pela atribuição dos nomes dos meus familiares a uma rua da aldeia.

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

abstrato...


procuro o encontro do que não sei,

uma restea do desconhecido,

um poema aceso,

um gesto sonambulo

onde a noite apaga

o sonho,

o dia iluminado...


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dedicado a Cristina, minha filha

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imagem: "on birthday" pintura a acrílico sobre tela

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

canto 3


o canto da manhã subita que esfacela o tédio da harmonia...

a harmonia que decifra o rosário da prece agoirenta;

o agoiro que maltrata a flacidez dos dias;

os dias ignorados no rufar do mês fétido...

...e eu, como se não existisse, canto loas à imortalidade
do poema vindouro...


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"janelas de cor" - pintura a acrlico sobre papel canson

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

apresenta-me a noite...


a
p
r
e
s
e
n
t
a - me a noite

o ..... espaço da criação,

o flagelo do açoite,

o ca...mi...nho da ilusão.


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sexta-feira, 16 de julho de 2010

na tarde de todas as tardes



na tarde de todas as tardes
a sombra que cessa a presença,
o vazio imenso da ausência…

no grito desfolhado da saudade,
o eco surdo da palavra,
o suspenso gravitar do adeus…

…e nesse imenso profundo
sem imagens de adivinhação,
o canto dos vazios,
a procura fria da razão…

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

os mares que trazes em teus olhos



os mares que trazes em teus olhos
azuis esverdeados,
ondulam horizontes,
destinos de silêncio…

é nesse silêncio que aconteço
quando em teus olhos
navego
e neles entardeço…

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

no amor me prendo



no amor me prendo,
no amor desperto…

…e em ambos liberto,
sou rumo, caminho,
grito dum só peito,
rosa dum só espinho…

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

o dia transborda



o dia transborda,
quebra a monotonia;

o voo desgarrado,
o escombro da utopia…

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sábado, 19 de junho de 2010

a sara do mago (Saramago)


esta lágrima, vertida sentidamente,
embarga a voz,
todas as lembranças…

no sentir,
nos caminhos de tantas andanças,
fica a memória,
a história,
tantas mudanças…

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a minha amiga Anália Maria, intelectual, grande admiradora da escrita de Saramago e residente no Rio de Janeiro, transcreveu no seu blog este poema-dedicatória.

http://registrosmaduros.blogspot.com/

os meus agradecimentos, Anália.

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

beijo...


beijo a intempérie de teus lábios,
a tempestade que os assola,
o tremor que vulcaniza teu corpo…

…e nesse beijo sôfrego
quente de emoção,
viajo,
alcanço o corpo,
a tua inquietação…


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domingo, 6 de junho de 2010

um poema - alerta à segurança dos pescadores...



fui solicitado a escrever o poema que segue para o Guia de Prevenção de Riscos Profissionais na Pesca, da responsabilidade da HATIVAR e da Autoridade para as Condições de Trabalho - ACT.

o referido guia, com uma edição de 15.000 exemplares, foi ontem apresentado a trabalhadores do sector, em Vila Real de Santo António e contou com a presença de alguns dos seus autores.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

beber-te...



beber-te na plenitude,

na sede da cobiça

e na luz dum relampago

acender-te o êxtase,

o delírio do fim…

segunda-feira, 24 de maio de 2010

pôdre é a monotonia...



pôdre é a monotonia

onde páro e medito...



aí, buscando o improviso,

a razão do ser,

escrevo e masturbo

o poema que edito.



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o trabalho que encima pertence à colecção
"riscos do improviso" de 2005

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

nas moedas da fome...


Karl...(o filósofo)


Marx... (os irmãos)

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nas moedas da fome…pago!

pago a sede do desespero,
a sobrevivência,
o grito…

se Karl soubesse o que peno,
o que pago,
os irmãos Marx pantomimavam…

nas moedas da fome,
no curto que é o dinheiro,
os cães matariam a fome
nos ossos que rôo...

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

à boca, às bocas...


...à boca foi dado o dizer,
a palavra
livre, dita...

...às bocas do dizer,
onde tarda a verdade,
cresce o lume da raiva
onde a raiva transfigura
a palavra por dizer...


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imagem da internet
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

na treva...


na treva roxa do centauro,
voam pássaros misteriosos...

...rodopiam no cansaço,
procuram abrigo ...

voam alto, baixo...

...com eles vou
à distância do tempo,
à lonjura dos cantos,
ao rosto do enigma...

...quem me dera que,
voando na boca da palavra,
no fogo da pétala,
o poeta acordasse
a cidade do sorriso,
o sono da lembrança...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

José Maria Videira, meu avô


Assinalado o 25 de Abril de 1974, dia em que foi restituída a liberdade e a democracia ao Povo português, quero hoje e aqui recordar meu avô materno que, se fosse vivo, completaria, hoje, mais um aniversário.

Foi um avô especial. Um avô que teceu ideias, que foi um revolucionário e por isso mesmo, pagou cara a sua determinação na luta pelos seus ideais, sofrendo a prisão, a deportação e a tortura.

Na verdade se meu avô foi um revolucionário, um republicano convicto, um combatente pela liberdade e pela democracia, minha avó Otolinda, sua mulher, foi uma verdadeira mulher de armas, uma mãe abnegada que, na ausência do marido e com tremendas dificuldades teve de criar seus filhos, também eles,"deportados", por força da circunstância.

Na foto, meu avô preso em Angra do Heroísmo (antes daqui seguir para o Tarrafal)recebendo a visita dos filhos. Da esquerda para a direita, Emilia (minha mãe) e meus tios António e Helena.

Tenho grandes recordações e muitas saudades do meu avô.

Era um homem implacável, um estudioso, um homem de rija tempera para quem a educação e a instrução, a formação do homem eram objectivos prioritários.

Por isso mesmo, enquanto deportado em Santa Cruz da Graciosa (Açores), ensinou a ler e a escrever algumas dezenas de analfabetos que como reconhecimento o homenagearam, entregando-lhe o documento com várias páginas com as suas assinaturas e que segue abaixo.

Ainda hoje recordo com emoção o conhecimento que travei na Graciosa com um velhinho que tinha sido um dos seus alunos e se agarrou a mim a chorar e entre lágrimas me disse:"Deixe-me dizer-lhe obrigado!".

Falar do meu avô daria um post imenso.

Foi militar, ainda muito jovem, combateu em França na guerra de 1914-1918.

Foi lider e responsável pela Organização Revoluciuonária dos Sargentos.

Nunca se vangloriou dos seus feitos ou do que sofreu, por isso mesmo, injustamente foi esquecido "pelo" 25 de Abril e por todos aqueles a quem coube a atribuição das ordens honorificas.

Sei de alguns que as receberam, como se os feitos fossem seus quando, na verdade, foram de meu avô.

Sei disso e muito mais.

Sei dos rasgados elogios que dele me foram feitos por outros lutadores antifascistas como Emidio Santana, Correia Pires (anarco-sindicalistas), Josué Martins Romão (que esteve na revolta dos marinheiros e preso com meu avô no Tarrafal), Raul Rego (jornalista e politico) e Manuel João da Palma Carlos (advogado e seu defensor).

Ainda hoje recordo com saudade as conversas que sobre politica tinha com os netos, nunca os instigando a que perfilhassem esta ou aquela ideia, mas sim que defendessem os valores da liberdade, da democracia, da solidariedade e fraternidade.

Lembro que um dia ao assumir cargo como dirigente sindical me disse em tom muito sério:"Nunca te esqueças que és um trabalhador".

Meu avô Videira (como o tratava) nasceu na Bendada, freguesia do concelho de Sabugal, distrito da Guarda, em 26.04.1896.
Faleceu em Lisboa no dia 16.06.1976

Elogio funebre a meu avô feito por Correia Pires (de costas):Ao centro na foto, minha avó Otolinda.

Hoje, meu avô José Maria completaria mais um aniversário e um dia após a comemoração do dia da liberdade quero lembrar quem tanto lutou por ela e foi um cidadão exemplar.

A sua ficha da PIDE

A concluir, como "mera curiosidade", refiro que no tempo em que a actividade politica de meu avô ainda era lembrada e o apelido "dizia tudo", eu e meu irmão Adalberto, por sermos netos de quem éramos, fomos escorraçados das primeiras carteiras da escola que frequentávamos e recambiados para o final da aula.

Ontem como hoje, tenho enorme orgulho nos meus apelidos.
Videira pelo que acabo de relatar e por ter origem em gente humilde e trabalhadora da sua aldeia natal, a Bendada; Santos por ser do meu avô paterno, membro do Partido Republicano Português e um dos implantadores da República.

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Agradeço a:

* Julia Coutinho do blog "As causas de Júlia" o link que faz para a leitura deste post.
- http://ascausasdajulia.blogspot.com/

(Neste blog estão editadas inumeras referências a antifascistas que se votaram à causa causa da liberdade e da democracia. Recomendo a sua visita.)

* João Aristides Duarte, pelo post que editou sobre meu avô no blog "Capeia Arraiana"
- http://capeiaarraiana.wordpress.com/

* Sociedade Filarmónica Bendadense por ter editado a referência que é feita a meu avô no blog "Capeia Arraiana"
- http://sociedadefilarmonicabendadense.blogspot.com/

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

25 de Abril de 1974, o dia libertador

A minha homenagem aos militares do 25 de Abril e a todos os que durante 48 anos não calaram a sua voz, que sofreram a prisão e o degredo, para todos os que lutaram pela democracia e ainda para todos que deram a vida pelos seus ideais e não viveram a aurora do dia libertador.

Foi há 36 anos que o Movimento das Forças Armadas devolveu aos Portugueses a liberdade e a democracia, depois de 48 anos de ditadura fascista de Salazar e Caetano.
(eu sei que a muitos "puritanos" da direita o termo fascista não tem cabimento,mas...recordo-lhes as saudações hitlerianas que os ditos governantes faziam e há ampla documentação fotográfica)


Nas ruas foi sempre visivel a unidade entre os militares e o povo

Os cravos floriram nas espingardas e nos canhões dos blindados.
...E assim a revolução ficou conhecida pela Revolução dos Cravos

A imprensa publicou durante o dia diversas edições dando a conhecer o que se passava

terça-feira, 13 de abril de 2010

Luiz Pacheco...



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escrevi o poema que segue após a morte de Luíz Pacheco.
com ele e o post que faço, pretendo lembrar o homem, o escritor.
(...que, quando quiz, foi...MUITO BOM! )

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dois tempos na (des)monotorização do tempo...
empurra-se o tempo no sufoco...
resiste-se.

este é o tempo na esmola dos anos,
no estrangular da vida,
na constância da hipocrisia.

este é o tempo em que os luíses afrontam
e os pachecos resistem
no conjunto do nome, no todo do apelido.

no tempo ressuscitado,
coma-se a telepatia
de quem pensa e não diz
que o incómodo fornica
a virtude donzela,
os segredos da tia...


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NOTA:

Contrariando a minha frontalidade, peço perdão à memória do visado, mas... para manter os "costumes" linguisticos desta página, substituí no poema as frases "evidentes" por "coma-se" e por "os segredos"...
Uma pena...

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Luiz Pacheco (1925-2008)
Escritor, crítico e editor português (Lisboa, 7.5.1925 - Montijo, 5.1.2008). A sua diversa actividade enreda-se nas atribulações de uma vida marcada pela irregularidade dos amores, pelo escândalo das relações, os processos judiciais, a prisão, os filhos, o álcool, a fome, a doença.

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Algumas obras de LuiZ Pacheco:
Carta-Sincera a José Gomes Ferreira (1958), O Teodolito (1962), Crítica de Circunstância (1966), Textos Locais (1968), Exercícios de Estilo(1971, reed. aumentada, 1998), Pacheco vs. Cesariny (1973), Textos de Circunstância (1977), Textos Malditos (1977), Textos de Guerrilha - I (1979), O Caso das Criancinhas Desaparecidas (1981), Textos de Guerrilha - II (1981), Textos do Barro (1984), Textos Sadinos (1991), O Uivo do Coiote (1992), Memorando, Mirabolando (1995), Cartas na Mesa (1996, apresentação e notas de Serafim Ferreira), Prazo de Validade (1998), Isto de estar vivo (2000), Uma Admirável Droga (2001), Mano Forte (2002), Raio de Luar (2003), Figuras, Figurantes e Figurões (2004), Diário Remendado 1971-1975 (2005), Cartas ao Léu (2005).

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domingo, 4 de abril de 2010

...e a mentira camuflada engole a traição.


…e a mentira camuflada engole a traição
na tristeza muda da verdade…

nas palavras necessárias de quem ilude,
nenhuma mentira é igual
às cinzas da verdade…

nenhum reverso faz o verso
da transparência…

…e assim, a mentira, degola-se na verdade
como arte fantasiada…


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para quem de anil veste a face que tinge a mentira...
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