quinta-feira, 27 de outubro de 2011

enquanto as palavras se perdem...



enquanto as palavras se perdem na rotina
e o dia cresce no tamanho das horas,
deixa que o olhar voe
e poise
nas palavras que sofridas
o sentimento ditou...


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imagem de autor desconhecido

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

no dorso da palavra



no dorso da palavra
cavalgarei o desespero,
a insónia provocante,
o teu desejar…

…e quando o cansaço relinchar
no freio da impotência,
serei o corpo ousado,
o cumulo da paciência…

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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

sei (das estações...)



sei dos outonos famintos
das raivas do verão,
das primaveras donzelas,
dos dolorosos invernos;

sei das quatro estações,
dos tempos renovados,
das falsas ilusões,
dos viveres trocados…


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foto de autor desconhecido

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

há uma lembrança...



há uma lembrança que insulta o esquecimento…

…que teima em gotejar
no ritmo da pulsação;

que rasga a emoção,
que violenta a memória,
que tem olhos
nos olhos da saudade…


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imagem de autor desconhecido

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

na mão àrida...



...e na mão àrida do nada
cansada de esperas,

soprarei o vazio
como quem grita o desespero,

a revolta dos silêncios,
os iludidos cansaços...


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sábado, 17 de setembro de 2011

tuas mãos erguidas em prece



...e as tuas mãos
erguidas em prece,

dedilhadas em oração,

são o vazio do todo
que em teu corpo arrefece...


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foto de autor desconhecido

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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

lágrimas, sentimentos



as lágrimas são minhas,
os sentimentos são surdos.

só eu as sinto,
só eu os ouço.


in "Esquinas do Tempo"
edição Thesaurus - Brasilia - Brasil


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foto de autor desconhecido

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domingo, 21 de agosto de 2011

de que sóis vestes o olhar



...de que sóis vestes o olhar

quando extravasas o infinito

e na harpa dos dedos

desenhas o dia,

o vislumbre do alcance,

os olhos resignados...



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foto do autor

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

flua a tristeza...



flua a tristeza,
a lembrança que trago,
a ilusão fria e nua,
o sabor amargo…

…e se no amargo que é tanto,
este amargo continua
que fique o que é pranto,
a saudade que é tua…

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imagem de autor desconhecido

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

...e afinal nada mais resta.


…e afinal, nada mais resta
desses momentos tresloucados
em que o clarim da alvorada
rompeu o riso da hipocrisia.

foram momentos lambidos
no pranto dos beijos cansados,
nos trémulos frios da paixão
quando loucos anseios
eram sinfonia no canto do dizer…

…e afinal, nada mais resta,
fica o amargo,
o rasgo serafinesco
da ousada grandeza
que o facto inspira
e a desilusão colhe
na antecipação do fim,
do principio iludido…

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imagem de autor desconhecido

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

perto e longe



perto e longe,
onde o incerto se repete,
a brisa do vento
sussurra o canto,
a dor do lamento,
a alegria do pranto...

perto e longe,
onde o dia
despe a luz,
o tempo da espera...

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imagem de autor desconhecido

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domingo, 10 de julho de 2011

pensando e escrevendo dentro do meu coração


Quando acordo só, descalço de emoções, elejo o dia como companheiro destemido das luzes que há em mim e vêm de ti.

...Como ante estreia do sol de inverno que aquece a flacidez da carne por volta das onze da manhã...

Depois de erguer a preguiça e levantar o corpo da horizontalidade descansada, penso em ti e no pensamento atrevido.

...Matando-me com o teu olhar, como se ele fossem balas de desejo e a vida parasse expectante do que possa acontecer.

De pé, olhando-me ensonado e olhos ramelosos, alongo os lábios e descubro o marfim dentário que a escova e o dentífrico vão ginasticar de alto a baixo.

Quando o duche me baptiza e o corpo é moldado pelas mãos da ensaboadela, estou pronto para a molha derradeira em que o prazer do duche é eternizado.

Barba, cabelo, desodorizante, água de colónia, tudo com a simetria do hábito sequenciado no ritmo do relógio, sincopado pela rádio que debita noticias na loucura dos ritmos matinais.

Quando por fim concluo o rito matinal, enfeito-me com os caprichos da sociedade e avanço para ela, ciente de que mecanizo o homem e hipoteco a frontalidade nos conceitos dum status que, falsamente, se diz vanguarda e que no íntimo escraviza o homem no conservadorismo da falsa nova retórica.


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sexta-feira, 1 de julho de 2011

num naco de pão



...e num naco de pão
na esperança que te tome
nasceu a ilusão,
o pão da tua fome...


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imagem da internet
autor desconhecido

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

ponto final



o medo dos vazios,
de todas as vírgulas,
é mais que silêncio,
mais que parágrafo,
é ponto final...

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quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Monstr'inhos 2005 - 2011" em exposição na Praia de Mira


Este o local da exposição, que pode ser vista até dia 26 de Junho, na Praia de Mira

O cartaz da exposição "Monstr'inhos 2005 - 2011" na entrada do Museu Etnográfico e Posto de Turismo

O Dr.Luis Miguel dos Santos Grego, Vereador da Cultura da Camara Municipal de Mira, segundo a contar da esquerda, inaugurando e apresentando a exposição



Alguns aspectos da inauguração

A alma do convite para expor em Mira, foi sem sombra de duvida Mestre Alcino, um homem de bem-fazer que passou grande parte da sua vida na faina da pesca. Ei-lo à esquerda desta foto, seguido pelo artista plástico local Mário Saburano, de mim e do Vereador da Cultura da Camara Municipal de Mira, Dr.Luis Miguel dos Santos Grego.

Sergio Domingues Marques, visitou a exposição, dando-me oportunidade de conhecer o seu excelente trabalho nas areas do desenho e do cartoon. Ele é sem duvida um jovem artista de que vamos ouvir falar no futuro, tal é a qualidade do seu trabalho.

Pela sua organização e colaboração na montagem da exposição quero registar o meu agradecimento à Martha Camarneira.

O meu obrigado ao designer Marco Custódio, pelo cartaz e convite que concebeu.

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Porque não tenho qualquer foto para registar a presença de quem tanto contribuíu para esta exposição, quero aqui deixar o meu MUITO OBRIGADO a Maria da Conceição Marques e Manuel Marques.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

"monst'rinhos 2005 - 2011"


Uma vez mais exponho trabalhos da série "Monstr'inhos".

Trata-se de alguns trabalhos a acrilico sobre papel Canson, realizados em Brasilia e Lisboa, entre 2005 e 2011 e que nada têm a ver com a pintura que normalmente exibo.

A exposição tem lugar no Posto de Turismo/Museu Etnográfico da Camara Municipal de Mira, na Praia de Mira.

Aqui fica o convite.

Se quiser, se tiver curiosidade, se estiver por perto, não deixe de ver.

Estarei na inauguração no próximo sábado, dia 4 de Junho, às 15.30 horas.

A exposição estará patente ao publico de 3ª feira a Domingo, até dia 26 de Junho.



Este é o cartaz da exposição


terça-feira, 24 de maio de 2011

o que dói...



o que dói não é a ausência,
mas sim, a sombra da tua imagem...

a sensação da espera,
a angustia do vazio,
a complementação dos olhares,
a ilusão dos orgasmos...

o que dói não é a ausência,
mas sim, o saber-te longe
quando tão perto, a sombra distorce
a linha do imaginário...


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imagem da internet
autor desconhecido

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terça-feira, 17 de maio de 2011

...e a verdade que se solta



...e a verdade que se solta
em cada palavra
é como um pássaro
- libertando-se -
no espaço em que vôa


segunda-feira, 9 de maio de 2011

o dia


o dia é uma viagem pelas horas
onde minutos se encontram
e segundos se apressam.

vinte e quatro horas.

horas, minutos, instantes,
soma do tempo
no tempo do dia.

o dia é uma viagem
pelo espaço.

começa pnde acaba,
acaba onde começa-



in "Esquinas do Tempo"
editora Thesaurus - Brasilia, 2005