quarta-feira, 23 de abril de 2008

deusa e deus



rasgarás o ciúme na pálpebra do olhar amassando a raiva na desconfiança;


comerás os fígados do fel e no desespero do azedume gritarás pelos luares extáticos;


serás deusa dos sombrios e nos medos serás estátua na luz movediça...



eu, qual solarengo deus, serei a trégua,

o recuo da guerra,

o amedrontado lacaio,

o assírio da regra,

a errância da semente,

o vento despedaçado na trégua...

4 comentários:

Paulo Amaral disse...

Que poema, que poeta! Bravo,João!

Sandra Peixoto disse...

Nem sei que dizer...Estou estupefacta com o que acabo de ler.
Você é seguramente dos autores que mais me têm surpreendido. Os meus parabéns e continuí a brindar-nos com o seu enorme talento.O meu abraço

Waldomiro Silva disse...

Um poema? Um poemão. Parabéns.

João Bartolomeu disse...

Um belissímo poema! Parabéns e a certeza de que vou voltar mais vezes.