segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

um unissono de palavras...


um unissono de palavras em mim semeado...

a enfranquecida silaba,
o pavor dilacerado,
um sussurro de espasmos,
o riso adiado...

um unissono de palavras em mim semeado...

no descuidado olhar,
no silêncio da agonia,
sou como mar de raiva,
a noite fugidia...


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Ao terminar mais um ano quero, reconhecidamente, agradecer
a todos que seguem o blog, bem como a todos que nos dão
eco da sua leitura, através dos comentários que fazem.
A todos muito obrigado e votos de Feliz Ano Novo.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

natal ?


…e se na raiva dos dias
os meses cansam
e os anos matam,
pensa que um dia,
mesmo que aqui não estejas,
o homem será homem
na liberdade,
na fraternidade,
na plenitude do ser!

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aos Videira e aos Antunes dos Santos,
meus avós e antecessores que foram peregrinos
de bem fazer nas mãos que estenderam à vida
e ao seu semelhante.

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foto da internet

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

tenho saudades ( nikki )


tenho saudades dos silêncios
em que me ouvias na voz da tua razão;

dos dias longos e profundos
em que estendias olhares
e beijavas a presença
com a luz dos afectos.

tenho saudades das corridas loucas
na provocação das brincadeiras,
dos aconchegos em mim,
do calor da tua presença,
da tua fidelidade.

tenho saudades de ti
agora que o fim
é o principio,
a conclusão do fio da vida.


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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

vejo-te...


vejo-te no deambular do olhar onde a busca trespassa limites, esconsos da imaginação;

vejo-te no perpendicular do pensamento onde penduro a retrospectiva da vida e sangram tristezas;

vejo-te na dor que consome a alma e extasia a indiferença do sofrimento...

...do sofrimento em que me turvo e onde as palavras não remedeiam a existência e a neblina ofusca o dia e inquieta o rosto livido do desespero...

vejo-te, aqui e agora!


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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

guardo...


guardo nos segredos maresias,
mares infinitos,
manhãs longínquas,
despertares do amanhecer,
colos de noites infindas...

guardo o imaginário,
o vôo do sol,
a lua do desejo,
a surpresa mágica,
o toque desconhecido,
o beijo intocável...

guardo o que não digo,
o que amealho,
o que não consigo,
a cruel desdita,
a frase perfeita,
a existência...

guardo a nostalgia,
o sonho,
a ilusão,
o caminho,
o que resta,
o que fica,
o que sobra,
o que sou...


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imagem da internet

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

foi há muito tempo...


foi há muito tempo….

quando o tempo escorria entre sorrisos
a as promessas verdejavam na esperança do futuro;

quando o homem cerrava punhos
e na raiva pelo direito
comia as côdeas do capital…

foi há muito tempo…

...se soubesse o que sei hoje
fuzilava a paciência,
matava a tolerância…


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quarta-feira, 17 de novembro de 2010


desperta o sol lentamente
sorrindo no horizonte...

na aurora do dia
abrem-se janelas,
pálpebras frouxas,
preguiças do despertar...

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

deixa-me dizer...


deixa-me abanar a opacidade do esquecimento,
dizer que nunca estiveste onde estive;

que a clausura não encarcera o pensamento;
que a liberdade não envenena a determinação.

deixa-me dizer que palavras não bastam
quando atitudes são necessárias


in "Esquinas do tempo"
Thesaurus / Brasilia, 2005


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imagem da internet

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

abriu-se a voz...


abriu-se a voz no eco do pensamento
como um gemido,
como um grito inventado
na ausência do silêncio…

…se a voz rompesse ausências
o nome do teu segredo,
eu não seria fogo,
a cinza da tua existência…


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imagem da internet

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

serei na tua cama...


serei na tua cama
o lençol,
a cobertura,
a trama,
o sol,
a tua ternura.

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imagem da internet

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

s. c. c.


somos uma sociedade
de consumo
consumida
- pelo exagero das coisas usuais.

somos uma sociedade
anónima
de responsabilidade
limitada
- sem dividendos
anuais.


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do meu livro "meio tom" / Lisboa,1973

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imagem da internet

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

quando o poeta é...


quando o poeta é maiúsculo
e a pele tem a sensibilidade do toque,

não há questiúncula,
não há remoque

que lhe ampute a ideia,
a determinação do ser…

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imagem da internet

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

desenrolas o gesto...


desenrolas o gesto no abraço do corpo
dando luz à penumbra dos sentidos…

…como se o dia amanhecesse no ocaso
e a noite engolisse os sonhos do despertar…

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imagem da internet

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010



Foi há cem anos...

O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se naturalmente na sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida.

Aumentando contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana soube tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do centenário da morte de Camões, em 1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, foram aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e as aspirações populares.

Elias Garcia, Manuel Arriaga, Magalhães Lima, tal com o operário Agostinho da Silva, foram personagens importantes dos comícios de propaganda republicana, em 1880.

Assim começou o fervilhar de emoções que culminaram com a implantação da República em 5 de Outubro de 1910, precisamente há cem anos.

Meu avô paterno João Antunes dos Santos foi um dos activistas do movimento republicano e um dos seus revolucionários.

Aqui o lembro e nele homenageio toda essa gesta de homens bravos e destemidos que puseram fim à monarquia.

...Para que deixássemos de ser subditos e passássemos a ser cidadãos!


Cartão de militante do Partido Republicano de meu avô.


Rosetas que pertenceram a meu avô e que, antes da República, eram usadas no interior dos chapéus para os republicanos se identificarem.

Algumas fotos das diversas peças originais que possuo sobre a Republica e que herdei de meu avô...


Peça de artilharia desativada, recolhida na Rotunda, hoje Praça Marquês de Pombal


Cinzeiro de cerâmica de 1910


Busto da República - Barcelos 1911



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Meu avô paterno esteve ligado à constituição / fundação de diversas instituições, entre as quais destaco:
Jardim Zoológico de Lisboa, Inválidos do Comércio, Associação de Socorros Mutuos dos Empregados do Comércio de Lisboa e Junção do Bem.

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Na familia a Republica tem outros rostos na luta à causa,
meu avô materno José Maria Videira e seu irmão Joaquim Videira, meu tio - avô.

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5 de Outubro de 2010
Alguns aspectos das cerimónias comemorativas da Republica na Camara Municipal de Lisboa (onde a Republica foi proclamada a há cem anos)





terça-feira, 28 de setembro de 2010

marylin (monroe)


Marylin é a eterna musa, a lembrança acesa de quem viveu a época da sua existência.

Nascida Norma Jean, o cinema fez dela a vedeta que todos admiravam e os homens desejavam.

Um dia destes, casualmente, vi-me perante a sua foto.

Precisamente, esta.

Olhei-a e num repente impulso inspirativo escrevi sobre ela o que o esconso da lembrança ditou.

Aqui fica.

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Marylin...
Suicidou-se no dia 5 de Agosto de 1962, na sua casa de Brentwood,em Los Angeles.
...E a questão é, como podia sentir-se só a mulher mais adorada do mundo ?

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

amo no silêncio das palavras


amo no silêncio das palavras,
a quietude dos olhares perdidos,
os gestos paralisados na força inquieta.

amo…

…como se do momento para depois,
tudo não passasse da efeméride,
dum tempo que trago lembrado
e perdi no ruído dos murmúrios…

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frase/imagem da internet

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

nos muros dos olhares cinzelados


nos muros dos olhares cinzelados
onde cantam limites do vento,
há olhos que interiorizam
o regresso de encontros…

a tenra lembrança do tempo
onde o passado fére a pedra,
é um abismo de lembranças
entre dedos do vazio…

…e assim, no cremar das luzes,
dos punhos até à língua,
há um espaço vazio
na sombra da míngua…


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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

por entre a vidraça...



por entre a vidraça transparente

da paisagem,

de olhos nos olhos do infinito,

voa a distancia do alcance

no eco perdido do grito.

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foto do autor

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

este rio...


este rio que o sol rasga

na brisa dos dias breves,

é um navegar de mãos dadas

no eco dos murmúrios…


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imagem da internet

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

ser VIDEIRA com raízes na Bendada (Sabugal)

videira
cepa torta nascida
de néctares aromáticos
graduados no sol...

videira fruto - tempera,
gente dum só escol.

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poemeto que dedico à familia do meu apelido

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estes são uma pequena parte dos descendentes dos Videira que no passado fim de semana se reuniram na Bendada (Sabugal), aldeia onde têm origem as suas raízes.

Somos fruto da mesma àrvore ainda que de ramos diferentes.

Somos descendentes dos que se dedicaram à pastoricia, ao trabalho no campo e que vincaram na face a rudeza da vida.

Dois deles, já falecidos, como meu avô José Maria Videira e meu tio-avô Joaquim Videira, republicanos convictos que lutaram pela democracia contra a ditadura Salazarista, sofrendo, por isso, a prisão, a tortura e a deportação.

Brevemente por aprovação da Assembleia Municipal do Sabugal e da Assembleia de Freguesia da Bendada eles terão os seus nomes consagrados na toponimia local.

Somos Videira.

Do campo à faculdade, temos orgulho no passado, vencemos o futuro.

Somos gente de trabalho, de convicções, de tempera rija.

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Quero aqui fazer referência e registar o meu agradecimento aos deputados da Assembleia Municipal do Sabugal, João Manuel Aristides Duarte e João Carlos Taborda Manata, pelo voto de louvor a meu avô que aí apresentaram, bem como à Assembleia de Freguesia da Bendada, pela pela atribuição dos nomes dos meus familiares a uma rua da aldeia.

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

abstrato...


procuro o encontro do que não sei,

uma restea do desconhecido,

um poema aceso,

um gesto sonambulo

onde a noite apaga

o sonho,

o dia iluminado...


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dedicado a Cristina, minha filha

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imagem: "on birthday" pintura a acrílico sobre tela

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

canto 3


o canto da manhã subita que esfacela o tédio da harmonia...

a harmonia que decifra o rosário da prece agoirenta;

o agoiro que maltrata a flacidez dos dias;

os dias ignorados no rufar do mês fétido...

...e eu, como se não existisse, canto loas à imortalidade
do poema vindouro...


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"janelas de cor" - pintura a acrlico sobre papel canson

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

apresenta-me a noite...


a
p
r
e
s
e
n
t
a - me a noite

o ..... espaço da criação,

o flagelo do açoite,

o ca...mi...nho da ilusão.


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sexta-feira, 16 de julho de 2010

na tarde de todas as tardes



na tarde de todas as tardes
a sombra que cessa a presença,
o vazio imenso da ausência…

no grito desfolhado da saudade,
o eco surdo da palavra,
o suspenso gravitar do adeus…

…e nesse imenso profundo
sem imagens de adivinhação,
o canto dos vazios,
a procura fria da razão…

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

os mares que trazes em teus olhos



os mares que trazes em teus olhos
azuis esverdeados,
ondulam horizontes,
destinos de silêncio…

é nesse silêncio que aconteço
quando em teus olhos
navego
e neles entardeço…

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

no amor me prendo



no amor me prendo,
no amor desperto…

…e em ambos liberto,
sou rumo, caminho,
grito dum só peito,
rosa dum só espinho…

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

o dia transborda



o dia transborda,
quebra a monotonia;

o voo desgarrado,
o escombro da utopia…

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sábado, 19 de junho de 2010

a sara do mago (Saramago)


esta lágrima, vertida sentidamente,
embarga a voz,
todas as lembranças…

no sentir,
nos caminhos de tantas andanças,
fica a memória,
a história,
tantas mudanças…

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a minha amiga Anália Maria, intelectual, grande admiradora da escrita de Saramago e residente no Rio de Janeiro, transcreveu no seu blog este poema-dedicatória.

http://registrosmaduros.blogspot.com/

os meus agradecimentos, Anália.

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

beijo...


beijo a intempérie de teus lábios,
a tempestade que os assola,
o tremor que vulcaniza teu corpo…

…e nesse beijo sôfrego
quente de emoção,
viajo,
alcanço o corpo,
a tua inquietação…


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domingo, 6 de junho de 2010

um poema - alerta à segurança dos pescadores...



fui solicitado a escrever o poema que segue para o Guia de Prevenção de Riscos Profissionais na Pesca, da responsabilidade da HATIVAR e da Autoridade para as Condições de Trabalho - ACT.

o referido guia, com uma edição de 15.000 exemplares, foi ontem apresentado a trabalhadores do sector, em Vila Real de Santo António e contou com a presença de alguns dos seus autores.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

beber-te...



beber-te na plenitude,

na sede da cobiça

e na luz dum relampago

acender-te o êxtase,

o delírio do fim…

segunda-feira, 24 de maio de 2010

pôdre é a monotonia...



pôdre é a monotonia

onde páro e medito...



aí, buscando o improviso,

a razão do ser,

escrevo e masturbo

o poema que edito.



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o trabalho que encima pertence à colecção
"riscos do improviso" de 2005

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

nas moedas da fome...


Karl...(o filósofo)


Marx... (os irmãos)

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nas moedas da fome…pago!

pago a sede do desespero,
a sobrevivência,
o grito…

se Karl soubesse o que peno,
o que pago,
os irmãos Marx pantomimavam…

nas moedas da fome,
no curto que é o dinheiro,
os cães matariam a fome
nos ossos que rôo...

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

à boca, às bocas...


...à boca foi dado o dizer,
a palavra
livre, dita...

...às bocas do dizer,
onde tarda a verdade,
cresce o lume da raiva
onde a raiva transfigura
a palavra por dizer...


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imagem da internet
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